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Editorial:
QUARESMA II
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Estamos no período da Quaresma. Durante quarenta dias – da quarta-feira de Cinzas ao Domingo de Páscoa – os cristãos, tradicionalmente, deveriam refletir sobre a importância deste período. Como esse tempo foi deturpado! Celebra-se o carnaval – despedida da carne com grande intensidade e entrega total ao pecado. Depois há o esquecimento total da quaresma que deveria ser vivida como um momento de reflexão, onde meditamos sobre a importância da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo e o reflexo desses acontecimentos em nossa própria vida. "Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para seu próprio caminho e o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós" (Isaías 53:6). É comum o ser humano achar que a paz e a unidade são fruto do esforço comum dos homens em promovê-la. No entanto, para o profeta Isaías, tanto um como o outro só nos é possível através da cruz. É nela que nos identificamos e nos vemos como realmente somos. Sem a cruz somos como ovelhas desgarradas, autônomas, solitárias e rebeldes. Na cruz nos encontramos com nosso pecado, ódio, indiferença e rebeldia. Olhamos para Cristo e vemos quão longe estamos, quão solitários somos. Ao receber nossas iniquidades, ele nos recebe, nos faz irmãos e irmãs, cria a paz e promove a unidade. Sem a cruz, permaneceremos sozinhos, lutando uns com os outros, buscando em nós mesmos um significado, um motivo para a paz, uma razão para ser. Através da cruz nos encontramos, experimentamos juntos o perdão, acolhemos com gratidão a graça de Deus, provamos comunhão e gozamos juntos a unidade e a paz.
Paulo Andrade
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